quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Jornada ao Fim

Um palmo de alcance
Precede a minha visão do passado,
Denso nevoeiro esconde
Um futuro que tento não prever,
Não planear.

Escurece a passagem,
Sombra esquecida desaparece
Nas entrelinhas do destino
Amargurado,
Pendurado numa parede
Decadente sem sustento.

Jornada ao fim do fim,
Grito plenos pulmões
Na vaga esperança
De sons serem ouvidos e decifrados.

Som desumano povoa o ar
Em meu redor.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Eterno Apeadeiro

Olho para cima
E procuro uma pequena luz,
Um simples sinal de tão singela
Existência;
Nuvens toldam-me o julgamento.

Visito-me, incessantemente;
Tento encontrar explicação
Para a negação não me ser possível.

Sou um eterno apeadeiro,
Desactivado pelo tempo,
Abandonado;
A única carruagem que passou e parou,
Fê-lo por um momento,
Nem permitiu sentir o seu aconchego.

À janela vi um vulto
Olhando sorridente,
Acompanhado de nostalgia
Mas desejoso do amanhã;
Ela desaparece no nevoeiro
E deixa-me nesta viagem estática.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Breve vislumbre

Na escuridão vagueava
Desde longos tempos;
Cego pela falta de iluminação,
Em vão procurava
Doces novos ventos.

Horas e horas,
Milhares delas passaram
Sem que um resquício de luz
Iluminasse a minha agora
pálida pele.

A melodia dos voadores
Passava pelas paredes
Que me confinavam.

Subitamente,
Eis que aparece um pequeno
Raio de luz, uma falha
No muro que me separa
Abriu-se,
Deixou passar uma visão de esplendor.

Apreciei,
Fiquei sem palavras
Para tal visão doutro Mundo;
Ganhei novo calor
E alguma cor,
Procurei conjugar frases
Sem saber pronunciar
Os mais simples vocábulos.

Quando tudo parecia um sonho,
Uma realidade prestes a consumar-se,
A observação termina
E dou por mim de novo no escuro,
Procurando incessantemente
Por esse momento perdido,
Que nunca mais experimentarei.

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Como gostava de...

Como gostava de sentir,
Viver a dor
E correr,
Partir e esquecer
Sem pensar em perder.

Como gostava de sentir
A dor
No Eu físico,
Morrer e renascer
Lembrando o psicológico.

Voar,
Um sonho, uma realidade
Fictícia,
Ser e apenas Ser
Um momento,
Nunca uma lembrança.

Ser apagado da existência,
Não proporcionar mais que uma
Leveza breve aqueles que digo
Conhecer.

Como gostava de olhar,
Observar o outro lado do espelho
E entrar no subconsciente
De uma personagem que criei,
Uma visão que criei,
Uma realidade que criei,
Uma realidade que desejei.

Como gostava de olhar,
Observar este lado do espelho
E ver-me na terceira pessoa,
A personagem que mostro.

Nostalgia

Alta velocidade,
Viajo sozinho nesta fria noite.

Tons monocromáticos
Destacam-se nesta triste e desoladora
Paisagem.

Onde foste Primavera?

A viagem está no seu estado embrionário
E uma eternidade parece ter passado,
Tal é a redundância
No pano de fundo.

Paragem.
Arranque.

Suave,
Apesar do leve vaguear do estômago,
Que quer ficar especado no local
Previamente ocupado.

A monotonia é quebrada
Por pequenas nuances,
O débil terreno retira-me
Equilíbrio.

Tudo é nostálgico,
Tudo remete à mesma face.